Geral - 14/11/2019

BRICS Equilibraria a hegemonia estadunidense?

É difícil fazer tal afirmativa por enquanto, mas esta é a pergunta que está sendo feita por muitos analistas atualmente. Os acontecimentos no Brasil, logo após o término da Copa do Mundo, estão dando muito material para estudos.
 
A primeira parte da história foi escrita ainda antes do encontro dos cinco grandes líderes, em Fortaleza (Ceará). Entendemos que a primeira parte desse novo cenário fica delineada nas visitas separadas feitas pelo presidente russo, Vladimir Putin, a outros países da região onde estabeleceu acordos econômicos bilaterais de grande importância. E não podemos deixar de somar nessa análise os recentes acordos feitos pelo governo da China com países da América Latina, em especial na questão da energia.

O próximo grande passo foi dado no encontro do BRICS, em Fortaleza. Dilma Rousseff (Brasil), Vladimir Putin (Rússia), Narendra Modi (índia), Xi Jinping (China) e Jacob Zuma (África do Sul) encontram-se para a 6ª Cúpula do BRICS e anunciam importantes medidas que podem influir no cenário econômico e político mundial.

O tema escolhido para o encontro, e exaustivamente trabalhado pelos assessores antes da reunião dos líderes, tinha como eixo “Crescimento inclusivo: soluções sustentáveis”. E o resultado foi a criação de um Novo Banco de Desenvolvimento (NBD), composto pelos cinco países e com um capital autorizado de 100 bilhões de dólares. E a nova instituição canalizará seus fundos principalmente para investimentos na infraestrutura dos países membros, evitando assim as exigências e a burocracia do Banco Mundial e mesmo do FMI.

O passo seguinte, ainda na reunião de Fortaleza, foi a decisão dos cinco líderes mundiais concordando que o Conselho de Segurança da ONU precisa de uma reformulação. Na Declaração de Fortaleza, os cinco países cobraram a revisão geral das cotas do FMI, sem atrasos. Mais do que isto, o documento defende a implementação de reformas no FMI, para modernizar a estrutura de governança do órgão e refletir melhor sobre o papel das nações emergentes.

Como terceiro cenário desse grande momento devemos registrar a aproximação do BRICS com 11 países da América Latina. Estiveram na capital brasileira, para o encontro: Nicolás Maduro (Venezuela), José Mujica (Uruguai), Rafael Correa (Equador), Michelle Bachelet (Chile), Evo Morales (Bolívia), Cristina Kirchner (Argentina), Juan Manuel Santos (Colômbia), Donald Ramotar (Guiana), Horácio Cartes (Paraguai), Ollanta Humala (Peru) e Dési Boutersi (Suriname). Um grande desafio!
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