Geral - 21/10/2019

Gazprom no Brasil?

Uma subsidiária da gigante de gás russa Gazprom, a Gazprom International, decidiu aumentar a sua presença na América Latina. A agência Reuters relatou que a declaração foi dada pelo diretor do escritório de representação da Gazprom no Brasil, Chakarbek Osmonov. De acordo com ele, a empresa está negociando a compra de ações de campos de petróleo da plataforma continental do Brasil e também planeja iniciar a produção de gás nos campos da Bolívia daqui um ano.

No Brasil, a companhia ficou particularmente interessada nos depósitos que já estão sendo explorados, mas ainda não se sabe exatamente quais são eles. Na Bolívia, por sua vez, a empresa planeja iniciar a produção de gás já em 2016.

“A América Latina é rica em hidrocarbonetos que interessaram à Gazprom. A produção de gás será realizada pela Gazprom International, subsidiária da Gazprom que está engajada em projetos internacionais”, diz Ivan Kapitonov, vice-chefe do Departamento de Regulação Estatal da Economia da Academia Russa de Economia Nacional e da Administração Pública junto ao Presidente da Federação Russa.

De acordo com ele, “essa decisão permite à Gazprom diversificar a sua própria base de recursos, bem como expandir a sua presença em uma região extremamente atraente do ponto de vista da demanda".
Na Bolívia, a principal parceira da Gazprom é a companhia francesa Total. Grigori Birg, analista da agência Investcafe, lembra que a Gazprom, a Total e a estatal boliviana YPFB assinaram, ainda em 2008, um contrato de serviço de pesquisa e exploração de hidrocarbonetos no bloco Acepo. As reservas desse bloco são estimadas em 51 bilhões de metros cúbicos de gás, e os investimentos futuros no desenvolvimento serão equivalentes a US$ 1 bilhão.

Ao lado dele existem dois outros blocos, dos quais foram extraídos aproximadamente 176 bilhões de metros cúbicos de gás e 15 milhões de toneladas de condensado de gás natural. Nesses projetos, a Gaz-prom é uma acionista minoritária, a sua participação no desenvolvimento dos blocos é de 20%, sendo que a parcela da empresa Tecpetrol, pertencente a um grupo argentino-italiano, também é de 20%, enquanto que a parcela da companhia francesa Total, operadora do projeto, é de 60%.

De acordo com o serviço de imprensa da Gazprom, a América Latina é uma região promissora para a companhia. Ainda em fevereiro de 2007, a empresa assinou um acordo de cooperação com a Petrobras na área de prospecção, extração, transporte e venda de hidrocarbonetos. Tratava-se principalmente da exploração de depósitos marinhos, incluindo um segmento promissor para a Gazprom, a produção de gás natural liquefeito. A Gazprom também está desenvolvendo projetos semelhantes na Venezuela.

De acordo com especialistas, a cooperação entre a Gazprom e o Brasil assume novos significados em função das sanções impostas à Rússia pelos EUA e pela União Europeia.
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