Geral - 20/11/2019

Sabesp admite baixa pressão da água durante a noite

A presidente da Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo (Sabesp), Dilma Pena, disse na quarta-feira, 8, que a redução da pressão noturna da água na rede de distribuição "atinge 2% da população" da Grande São Paulo, cerca de 400 mil habitantes. Em audiência na Câmara Municipal, ela voltou a negar a prática de racionamento nas cidades operadas pela empresa - são 373 no Estado, incluindo a capital.

"Não há racionamento de água no Estado de São Paulo. Todas as redes estão pressurizadas em tempo integral", afirmou Dilma em depoimento à Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) que investiga o contrato da companhia com a Prefeitura e os casos de falta dágua na capital.

"Existe, sim, uma diminuição da pressão noturna que atinge, em média 1% ou 2% da população. Quando a maioria das pessoas está em repouso, não tem por que as redes ficarem pressurizadas como ficam durante o dia, às 2 horas da tarde, ao meio-dia", afirmou Dilma.

A redução da pressão noturna da água foi revelada pelo Estado em abril e, para alguns especialistas, significa racionamento. A medida tem provocado falta dágua em algumas regiões da cidade entre 22 horas e 6 horas. Segundo a Sabesp, essa prática é adotada desde 2007 e foi intensificada neste ano com objetivo de reduzir as perdas de água por vazamento na rede de distribuição durante a crise de estiagem.

"Não existe racionamento. Existem, sim, não nego, falta de água pontual em áreas muito altas, muito longe dos reservatórios setoriais de abastecimento ou em residências onde moram muitas pessoas e a capacidade de reservação é muito pequena", afirmou Dilma.

Segundo ela, o racionamento é a medida mais "simplória" para se tomar diante de uma crise de seca nos mananciais, mas a empresa preferiu não adotá-lo porque penalizaria os mais pobres, que não têm grandes caixas dágua.

Vereadores da CPI, contudo, discordam da presidente da Sabesp. "Não nos interessa a terminologia que se usa, o que interessa é que falta água na cidade de São Paulo. Isso é fato", disse o vereador Laércio Benko (PHS), presidente da comissão.
Newsletter