Mercado / Comércio Exterior - 23/08/2017

Aprovada urgência para votação do fim da exclusividade da Petrobrás na exploração do Pré-Sal

Categoria: Notícias
Publicado em Quarta, 13 Julho 2016 21:15
  


Na noite do dia 12/7 os deputados federais aprovaram, entre outras matérias, o Requerimento 4880/2016, dos líderes partidários, de pedido de urgência na votação do PL 4567/2016, de autoria do senador José Serra (PSDB-SP), atual ministro das Relações Exteriores do governo interino do Presidente Michel Temer, que retira da Petrobrás a exclusividade na exploração da camada do Pré-Sal.

A urgência foi aprovada com 337 votos a favor e 105 contrários. Tão logo as atividades do Legislativo sejam retomadas em agosto o projeto terá prioridade de votação no plenário da Câmara.

Reação dos trabalhadores
Em nota, a Federação Única dos Petroleiros (FUP) emitiu nota contra a aprovação da urgência. 

Salta os olhos, o fato disso acontecer no dia seguinte ao anúncio de mais um recorde de produção da Petrobrás no Pré-Sal, onde alcançou em junho o espetacular volume de 1,24 milhão de barris de petróleo equivalentes.

Não é de hoje que a entidade vem denunciando os interesses do mercado por trás da falaciosa campanha da mídia que, dia após dia, tentou induzir a população a acreditar que a Petrobrás estava quebrada.

Desde 2014, quando a imprensa intensificou os ataques à empresa, associando-a à corrupção, na tentativa de desconstruir suas conquistas e de fragilizar os trabalhadores, alertamos a sociedade sobre as reais intenções dos que tentavam desmoralizar a petrolífera: a disputa pelo Pré-Sal e pelos valiosos ativos da companhia.

Todos os alertas da FUP sobre o oportunismo dos que se aproveitaram das dificuldades da empresa para tentar privatizá-la e entregar o Pré-Sal às multinacionais estão se comprovando. 

Esta semana, quando o governo interino de MiShell Temer completa dois meses de golpe, mergulhado em denúncias de corrupção, a mesma mídia, que massacrava a Petrobrás em suas manchetes diárias, mudou o foco e passou a valorizar os resultados da empresa.

A consultoria financeira Raymond James, que em maio havia reduzido a recomendação para as ações da companhia, voltou a apostar na estatal brasileira e, em comunicado aos investidores, destacou que o crescimento da produção reflete "o legado dos investimentos realizados há muitos anos". Não faz muito tempo, a dívida da Petrobrás, que possibilitou a descoberta e financiamento do Pré-Sal, era demonizada e tratada como insolvente pelo mercado.

Como a FUP vinha afirmando, a crise da companhia é conjuntural e está sendo superada graças aos ativos valiosos, que são fruto dos investimentos feitos nos últimos anos, que saltaram de R$ 9,92 bilhões em 2003 para R$ 104 bilhões em 2013. Nesse período, a empresa aumentou em 700% o financiamento de pesquisas, que lhe possibilitaram descobrir o Pré-Sal e aprimorar as tecnologias de exploração em águas ultra-profundas, acumulando prêmios e reduzindo os custos de produção.

O resultado é que com apenas dez anos de descoberta, o Pré-Sal já faz jorrar quase metade da produção total que a Petrobrás levou mais de 60 anos para atingir. Esse gigantesco reservatório de petróleo de altíssima qualidade pode fazer da empresa uma das maiores petrolíferas do mundo e tornar o Brasil o terceiro maior produtor do planeta.

É por isso que MiShell Temer e Pedro Parente estão correndo para aprovar o PL 4567/16 e vender a toque de caixa todos os ativos possíveis da Petrobrás. O Pré-Sal está no centro do golpe e os financiadores têm pressa.

A conta já começou a ser paga, com a aprovação do regime de urgência para o projeto que José Serra prometeu dar de presente às multinacionais.  Na Petrobrás, a missão de seu colega Pedro Parente é esquartejar a empresa, liquidando bens estratégicos a preço de banana. Os campos de produção maduros, a Transpetro, a Liquigás, a BR Distribuidora e outros ativos serão doados de bandeja ao mercado se não houver uma grande resistência nacional.

A FUP e seus sindicatos continuarão na linha de frente, denunciando e enfrentando os entreguistas. Essa luta, no entanto, precisa ser encampada por todos os brasileiros. Além da soberania nacional, é o futuro das próximas gerações que está em risco. Defender a Petrobrás e o Pré-Sal é defender o Brasil.

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