Previdência - 23/08/2017

Cliente pode trocar aplicações em fundo de previdência sem custo extra

Publicado em 03/10/2016 por Folha de S. Paulo Online

O investidor que não estiver satisfeito com a rentabilidade de seu plano de previdência pode buscar alternativas na própria seguradora ou na concorrência.

As regras permitem a troca de plano -a chamada portabilidade-, inclusive de um conservador para outro mais arriscado, de acordo com o perfil do cliente. Só não é possível trocar um PGBL por um VGBL e mudar a tabela do Imposto de Renda escolhida (progressiva ou regressiva).

Quando os fundos conservadores têm um pouco mais de risco, os rendimentos costumam ser maiores.

Segundo o levantamento realizado pela XP Investimentos, todos os 37 fundos conservadores analisados que têm na carteira títulos privados ou atrelados à inflação -que são mais arriscados que os títulos públicos pós-fixados- renderam mais que o CDI nos últimos 12 meses.

Além disso, 83% dos mais arriscados conseguiram bater o indicador (veja quadro).

"Se tirar um retrato da indústria, 92% dos planos estão em renda fixa. É um contrassenso ter um dinheiro de longo prazo alocado em CDI", diz o planejador financeiro Paulo André Barqueiro.

"Quando o investidor é mais jovem, ter uma exposição maior a risco pode significar alcançar a meta financeira mais rapidamente", afirma Barqueiro.

FUNDOS DE PREVIDÊNCIA - 12 meses

FUNDOS DE PREVIDÊNCIA - 24 meses

FUNDOS DE PREVIDÊNCIA - Fundos que rendem acima do CDI, em %

PORTABILIDADE

É mais fácil efetuar a troca na mesma seguradora. A dica é comparar produtos com perfis parecidos para checar se o que compromete o ganho é taxa de administração, má gestão, outros custos ou combinação dos fatores.

A análise deve considerar um histórico mais alongado, de dois a três anos.

A mudança para outra seguradora exige que se peça, na instituição de origem, um extrato contendo, entre outras informações, o número do plano e nome da empresa.

A nova seguradora é quem faz o trâmite, que é gratuito e leva cinco dias úteis.

A seguradora de origem é obrigada a aceitar a mudança, mas pode fazer uma contraproposta para tentar manter o cliente em sua carteira.

Até julho, o volume de dinheiro portado entre instituições cresceu 9,5% em relação aos sete primeiros meses de 2015, para R$ 5,99 bilhões. Apesar do aumento, houve uma desaceleração no ritmo em relação a anos anteriores.

Portabilidade - Volume de planos migrados desacelera

JUROS

Claudio Sanches, da FenaPrevi (que representa seguradoras e entidades abertas de previdência complementar) atribui à subida dos juros pelo Banco Central, em 2013 e 2014, a alta no volume de portabilidade no período.

A mudança fez com que planos com títulos prefixados e pós-fixados atrelados à inflação sofressem com a diferença entre as novas taxas e aquelas nas quais os papéis foram emitidos.

Muitos planos, então, tiveram perdas mensais, afugentando investidores que não estavam acostumados com oscilações em produtos de renda fixa.

"O que acabou acontecendo em 2013 ajudou as pessoas a entenderem a dinâmica do produto e as empresas gastaram mais tempo e dinheiro para explicar o funcionamento dele", diz Sanches.

TAXA ALTA X DEDUÇÃO DE IR

Até mesmo um dos atrativos dos planos de Previdência, o benefício fiscal, pode ficar comprometido se o fundo tiver taxas muito salgadas, avalia Cassius Leal, presidente fundador da consultoria Advys.

No Plano Gerador de Benefício Livre (conhecido como PGBL), o investidor pode deduzir até 12% da renda da declaração de ajuste anual do Imposto de Renda.

"Escolhendo um plano com taxa superior a 1%, o que você paga ao longo de 30 anos reduz a vantagem tributária do abatimento de IR", afirma Leal.

Outra taxa que pode comprometer o ganho dos planos é a de carregamento, cobrada por alguns fundos na aplicação ou no resgate. Se o investidor coloca R$ 100 e o produto tem carregamento de 2%, só R$ 98 vão efetivamente ser colocados no fundo para render.

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