O Brasil atravessa um momento em que a eficiência na gestão pública deixou de ser uma escolha e passou a ser uma necessidade urgente. Em meio a desafios econômicos, sociais e éticos, torna-se cada vez mais evidente que administrar o setor público exige as mesmas competências que fazem empresas prosperarem: planejamento estratégico, uso inteligente de recursos, liderança, controle de processos, indicadores de desempenho e, sobretudo, responsabilidade com o coletivo. É nesse cenário que surge o projeto Muda Brasil, da FEBRAD (Federação Brasileira dos Administradores), com o objetivo de incentivar a atuação dos administradores na política como agentes de transformação social por meio da boa gestão.
Competências de gestão na política pública: um diferencial necessário
Enquanto a política brasileira, por décadas, foi dominada por perfis sem formação técnica em administração ou gestão, os problemas estruturais se multiplicaram. Déficit orçamentário, obras inacabadas, má aplicação de verbas e ineficiência nos serviços públicos são reflexos diretos da ausência de uma administração profissional.
O administrador, por formação, é capacitado para planejar, executar, controlar e avaliar projetos com base em dados, metas e indicadores. Isso significa que suas habilidades são aplicáveis, de forma direta, na condução de políticas públicas mais eficientes, sustentáveis e transparentes.
Gestores públicos que possuem formação em administração ou que trabalham com o suporte de profissionais da área são capazes de:
- Otimizar recursos e cortar desperdícios;
- Criar indicadores para mensurar a qualidade dos serviços;
- Implementar metodologias ágeis e planos de ação eficazes;
- Promover a governança e a cultura da prestação de contas;
- Mapear riscos e antecipar crises operacionais ou financeiras;
- Tomar decisões baseadas em dados e não em achismos ou pressões políticas.
A importância da presença de administradores em cargos públicos
A atuação política vai além dos mandatos eletivos. O administrador pode — e deve — ocupar espaços como secretarias, diretorias técnicas, cargos comissionados, conselhos públicos e gabinetes de apoio estratégico. Além disso, a presença da categoria em candidaturas a cargos legislativos e executivos fortalece a ideia de uma nova política, focada em resultados, ética e profissionalismo.
A FEBRAD tem defendido que os administradores não devem se limitar ao setor privado. A política precisa deles — e o país precisa de uma nova geração de líderes com visão sistêmica, capacidade de planejamento e compromisso com a eficiência pública.
Candidatos com formação em administração apresentam uma vantagem técnica em relação à maioria dos políticos tradicionais: eles já estão habituados a lidar com metas, recursos limitados, equipes multidisciplinares e necessidades complexas. São profissionais que conhecem ferramentas como ciclo PDCA, matriz SWOT, KPIs, BSC, entre outras práticas fundamentais para transformar ideias em entregas concretas.
Casos de sucesso: quando a boa gestão muda a realidade
Existem exemplos reais, no Brasil e no mundo, em que a presença de administradores em cargos públicos fez diferença significativa na condução de políticas e na melhora da qualidade de vida da população.
Um dos cases nacionais mais comentados foi o de Curitiba, durante a gestão de Jaime Lerner, arquiteto e gestor com forte apoio técnico-administrativo. A cidade tornou-se referência mundial em mobilidade urbana e planejamento sustentável graças à integração entre visão política e gestão técnica.
Em escala menor, municípios que adotaram modelos de gestão com base em planejamento estratégico, com apoio de conselhos técnicos formados por administradores, conseguiram aumentar a arrecadação sem elevar impostos, melhorar a qualidade da educação pública e reduzir filas na saúde por meio de controle e digitalização de processos.
Esses casos provam que a mudança não precisa ser utópica: ela pode — e deve — começar com a profissionalização da gestão pública.
Ética, recursos e transparência: pilares da nova administração pública
O administrador é regido por um código de ética que valoriza a transparência, o uso responsável de recursos e o compromisso com os resultados. Ao ingressar na vida pública com esse tipo de mentalidade, ele representa uma ruptura com velhas práticas de apadrinhamento político, desvios e gestões improvisadas.
A governança pública, conceito cada vez mais discutido, é baseada justamente nesses pilares:
- Transparência: prestar contas com clareza à população, com dados abertos e comunicação eficiente;
- Eficiência: entregar resultados concretos e mensuráveis com uso otimizado de recursos;
- Ética: combater práticas ilegais e imorais, agindo com integridade e responsabilidade social;
- Participação: envolver a sociedade civil na tomada de decisões e na definição de prioridades;
- Inovação: aplicar novas tecnologias e processos para modernizar a gestão e melhorar o serviço ao cidadão.
O administrador tem, em sua formação, as ferramentas para construir essa nova lógica. Mas é preciso que ele aceite o desafio de sair da zona de conforto e assumir posições de protagonismo.
Muda Brasil: um convite à ação
O projeto Muda Brasil, da FEBRAD, nasce como um chamado à categoria para que seus profissionais participem ativamente da construção de um país melhor. Não se trata apenas de disputar eleições, mas de ocupar os espaços de decisão, influenciar políticas públicas, contribuir com ideias, propor soluções técnicas e demonstrar, na prática, como a administração profissional pode transformar realidades.
A proposta também envolve formação, conscientização e capacitação dos administradores que desejam atuar na vida pública. Workshops, conteúdos digitais, debates, mentorias e apoio institucional estão entre as frentes do projeto.
A mensagem central é clara: o administrador não pode se omitir. O país precisa de bons gestores — e nenhum outro grupo profissional está tão preparado para essa missão quanto os administradores.
Conclusão: o administrador como liderança do futuro
Em um mundo cada vez mais complexo, com demandas urgentes por eficiência, ética e inovação, o administrador surge como peça-chave para um novo modelo de política pública. Seja ocupando cargos eletivos, cargos técnicos ou atuando nos bastidores da gestão pública, sua participação é indispensável para que o Brasil supere velhas práticas e avance rumo a um modelo mais justo, transparente e produtivo.
Mais do que nunca, é hora de unir técnica, consciência social e vontade política. A boa gestão pode — e deve — ser o caminho para a mudança. E essa mudança começa com a participação ativa de administradores preparados para fazer a diferença.


